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Luis Horta e Costa e a Reinvenção do Imobiliário em Lisboa

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Quatro décadas no mercado imobiliário deixam marcas. Deixam cicatrizes também. Luís Horta e Costa acumulou ambas ao longo de uma carreira que atravessou três continentes e sobreviveu ao colapso de um dos maiores grupos financeiros portugueses.

Nascido no Porto em 1954, filho do 5.º Barão de Santa Comba Dão, Horta e Costa entrou no sector em 1979 através do Grupo Espírito Santo. Passou pelo Brasil e, depois, por Angola, onde supervisionou a criação da maior plataforma privada de investimento do país, com mais de 250.000 metros quadrados de projectos imobiliários. Quando o império Espírito Santo ruiu, em 2014, ele já levava 35 anos dentro da organização.

Um Recomeço aos 62 Anos

Em 2016, Luís Horta e Costa cofundou a Square View, uma empresa de promoção e investimento imobiliário sediada em Lisboa. O foco era claro. Propriedades de alto perfil em zonas prime e emergentes da capital portuguesa e dos arredores.

No ano de fundação, a empresa realizou uma ronda de financiamento de 20 milhões de euros. Hoje, segundo o site oficial da empresa, o portefólio da Square View compreende um investimento total no desenvolvimento de aproximadamente 260 milhões de euros, o que se traduz em mais de 500 unidades residenciais em promoção.

Os números indicam uma mudança substancial em relação ao perfil inicial. Quando a Square View arrancou, falava-se de quatro projectos e de cerca de 120 unidades. A expansão do portefólio reflecte um mercado lisboeta que, entre 2017 e 2025, registou uma valorização de preços superior a 115 por cento.

O Mercado que Sustenta a Aposta

Lisboa posicionou-se entre os cinco mercados residenciais prime mais atractivos do mundo para 2026, segundo um relatório da Savills. A previsão aponta para uma valorização de 4 a 5,9 por cento nos imóveis de luxo da capital, superando a média global de 1,3 por cento. A procura continua a exceder a oferta, com o número de propriedades à venda a cair 10 por cento, em termos homólogos, no início de 2025.

Para Luis Horta e Costa, que construiu a sua carreira sobre a capacidade de identificar oportunidades antes de outros investidores, o cenário confirma a tese que motivou a fundação da Square View. Lisboa ainda tinha espaço para crescer, e o conhecimento profundo do mercado local faria a diferença entre o retorno médio e o excepcional.

O Peso da Experiência Local

A Square View distingue-se pela rede de contactos que os seus fundadores cultivaram ao longo de décadas de trabalho no mercado português. Num sector em que a informação privilegiada sobre localizações, licenciamentos e dinâmicas de bairro pode determinar a viabilidade de um projecto, o acesso a essa rede constitui uma vantagem operacional concreta.

Horta e Costa lidera as relações com investidores e o pipeline de novas oportunidades de investimento. O seu sócio, Nuno Horta e Costa, é responsável pela gestão geral do portefólio. A divisão de funções permite que cada um se concentre na área em que a experiência acumulada gera mais valor.

O percurso de Luís Horta e Costa mostra que a longevidade num mercado pode ser tanto um fardo quanto uma ferramenta. O conhecimento granular de Lisboa, adquirido ao longo de décadas, permitiu à Square View identificar propriedades com potencial antes de se tornarem óbvias ao mercado alargado. É um modelo difícil de replicar para quem chega de fora.